destino: faro, algarve.
fevereiro.
a chover desde manhã. um frio de gelar os tomates.
a carrinha alugada num rent-a-car de bairro.
seis gajos e um macaquinho.
cinco gajos vão a tentar fintar os kms de auto-estrada que ainda faltam, dormindo.
um vai a conduzir.
o macaquinho vai a cantar guns aos berros. mas mesmo aos berros. ele fala aos berros. ele gesticula aos berros.
ninguém diz ao macaquinho "cála a boca meu!".
ele continua.
já é noite. a chuva não abrandou e está mais frio.
ainda não chegámos, o macaquinho vai a cantar aos berros.
ninguém diz ao macaquinho "cála a boca meu!".
por isso ele continua.
param á porta do sítio. descarrega tudo.
seis vão fazer soundcheck.
um vai arranjar lugar para a carrinha e comprar frangos.
mesa, cadeiras de plástico e dois sofás. jantam numa sala dos fundos.
á mão. com cerveja. litrosas. látas.
um dos gajos diz que é vegetariano enquanto coloca na boca um pedaço do animal. e está a falar a sério.
a segunda banda já está a tocar. como é? café?
chuva. onze da noite, fevereiro. encontrar um café aberto numa zona deserta de faro. a pé.
cinco gajos e um macaquinho. concerto regular.
um gajo vai buscar a carrinha.
carrega tudo.
é tarde.
já em casa.
descarrega tudo para o segundo andar.
três gajos querem ir dormir.
um deles é convencido pelos outros quatro gajos e macaquinho a ir curtir umas jólas também.
e recorrendo á desculpa "puto bora lá...bora lá meu! ainda vou parar ás putas. a sério. esta malta ainda quer ir ás putas. bora lá meu! eu não quero ir ás putas meu! bazamos mais cedo!", saem todos.
bares. musica dos anos noventa. cerveja.
há uma padaria aberta. tem mini-pizzas com azeitonas e pimentos.
bar académico. o spot da noite.
seis gajos e um macaquinho não são estudantes. ninguém entra.
quatro gajos e um macaquinho são banda de rock da moda. entram todos.
canto iluminado. três metros de balcão do bar ocupados.
buscopan. o shot eleito para a noite. onze de cada vez. muitas vezes.
nove gajos e um macaquinho tripam em slow motion.
rua.
parpalhar numa rua de família.
"vai mas é brincar com os córnos do teu pai !", um balde de água ou mijo é despejado de um terceiro andar.
berros. "daqui não saimos! . cinco gajos e uma miuda que de tão fodida já não abre os olhos.
a miuda que de tão fodida já não abre os olhos tem uma amiga histérica.
a amiga histérica pede satisfações.
gajo para amiga histérica: "princesa, ela vai para onde quiser!".
amiga histérica vai embora. já se contenta se a miuda que de tão fodida que já não abre os olhos chegar a casa viva.
porrada ao fundo da rua. banda amiga. bófia aparece. acabou.
uma carrinha,sete gajos, um macaquinho e uma miuda que de tão fodida já não abre os olhos.
velho bate na carrinha a fazer marcha-atrás e tenta fugir. não consegue. é tirado do carro.
bófia ao fundo da rua.
sete gajos, um macaquinho e uma miuda que de tão fodida já não abre os olhos. álcool no sangue que vale por cem pessoas.
três gajos saem da carrinha. arriscam ir para casa a pé.
três gajos e um macaquinho vão esperar ficar sóbrios para fazer queixa na bófia.
um gajo e uma miuda que de tão fodida já não abre os olhos saem da carrinha, vão á vida deles.
três gajos andam uma hora a pé para encontrar o prédio. a chave de casa na carrinha.
rua deserta. faro. fevereiro. a chover, frio indescritível.
três gajos dormem sentados num daqueles quadros eléctricos que estão junto aos prédios. até de manhã. tipo dez da manhã.
1 comentário:
Até parece um sketch! O macaquinho era mais dificil de arranjar mas acho que os outros cromos têm paradeiro certo lol
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