segunda-feira, 29 de junho de 2009

duas ou três coisas

fui levar o carro ao mecânico, sexta-feira. as direcções, sacádas da net pela minha Mãe (!), mas quem sabe lá ir ter, é na verdade o meu irmão mais novo. eu sabia que ao pé da bomba da Total em Mem Martins, não estaria longe da zona de acção do sr. vitor (mais tarde só vitor). liguei-lhe, estava longe afinal do raio de acção do vitor. espere ai que eu vou buscá-lo, é mais fácil. obrigado oh vitor, isso é que era bem simpático.
esperei cerca de 15 minutos estacionado a trezentos metros da referida Total. deep in Mem Martins. zona calma. de moradias verde azeitona, azul petróleo e azulejos, muitos azulejos. a 100 metros de mim, do lado oposto da rua, uma criança varria a entrada e passeio adjacente de uma das moradias. observei.
é duro o pequenote.
note-se que por entre as moradias passa uma estrada, de um sentido, onde circulam carros a nunca menos de 50-60 km/h. e quase sempre acima dos 70 km/h.
não deixa de ser perigoso para uma criança que varre o passeio, cheia de vigor, quase até ao alcatrão.
chega uma mulher, loira. de top e sapatos rasos brancos, saia creme. falam. a criança encosta a vassoura. gesticula, falam mais. não é uma criança.
é um anão.
não deixa de ser duro, o pequenote.

estamos á procura de casa. eu e a minha namorada. e falando até com algum conhecimento de causa, isto não é mesmo nada fácil! há perspectivas, ha a casa de um amigo meu na bica, uma outra ao pé da assembleia da républica, uma em santos (o barulho...), uma outra no carmo....o que me incomoda é que estive a manhã toda a tentar falar para os numeros dos arrendatários, e nem um atendeu...está mal. parece áfrica. assim não dá.
quero uma sala no centro de lisboa! quero elliot smith ao fundo, baixinho, num hi-fi meu. quero um quarto onde acorde ...o som de lisboa, os pombos nos beirais. uma cozinha onde consiga tchilar com os meus amigos.
acho que não é pedir muito...

já que falo em elliot smith.
o elliot smith suicidou-se. não agora. já há uns anos. em 2003. foi uma desilusão. fiquei triste.
só o soube aí há uns 4 meses.
era musico.
fez seis albuns.
depois acabou-se.
é uma pena.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

parafuso

lembram-se, os homens sobretudo, de quando eram putos e tinham na forquilha da bicicleta uma mola-da-roupa, ou um bocado de um copo de plástico ou outra cena qualquer para aquilo fazer som de motor?
pois eu hoje dei por mim a baixar a musica, 
abrir os dois vidros, 
e parar e arrancar só para ter a certeza de que um som semelhante vinha do meu carro....
o som compassado de uma bina quitada...!
era um parafuso num pneu de trás. 
médio. 
todo espetado. 
fodeu-me o fim de tarde. e a noite.
e a ela também.

terça-feira, 23 de junho de 2009

shanti boy

olha meu...
eu até ia deixar passar. 
a sério. 
mas depois lembrei-me disso outra vez e achei que merecias um reparo.
eu não falo sobre quem não conheço.
se mesmo assim ficas-te com dúvidas, 
falas comigo!
no entanto, acho melhor ficarmos por aqui, ya...?!




chipepe

a partir de certa altura o diniz começa a tratar-me por chipepe. 
ok, bom dia para ti também oh diniz...
chipepe isto, chipepe aquilo....
ok meu...já percebi. 
aliás não percebi nada. 
explica lá....
o que é que isso quer dizer meu?
não me estás a chamar deficiente, pois não...?!
nada disso.
é um nome tradicional. é carinhoso. é um símbolo de respeito. 
estou conquistado!

quatro meses depois venho a descobrir que chipepe é um nome, de facto.
não tradicional.
eventualmente carinhoso.
definitivamente um símbolo de respeito.
chipepe é afinal um medicamento. 
chipepe não se toma para aliviar as dores, nem para baixar a febre e muito menos para parar diarreias.
não.
chipepe toma-se quando se quer acabar de vez com a doença. 
não ajuda, resolve.

(e sobre a minha experiência profissional em angola, está tudo dito.)
 

sábado, 20 de junho de 2009

um daqueles quadros eléctricos que estão junto aos prédios (umas cenas normalmente verdes)

destino: faro, algarve.

fevereiro. 

a chover desde manhã. um frio de gelar os tomates.

a carrinha alugada num rent-a-car de bairro.

seis gajos e um macaquinho.

cinco gajos vão a tentar fintar os kms de auto-estrada que ainda faltam, dormindo.

um vai a conduzir.

o macaquinho vai a cantar guns aos berros. mas mesmo aos berros. ele fala aos berros. ele gesticula aos berros.

ninguém diz ao macaquinho "cála a boca meu!".

ele continua.   

já é noite. a chuva não abrandou e está mais frio.

ainda não chegámos, o macaquinho vai a cantar aos berros.

ninguém diz ao macaquinho "cála a boca meu!".

por isso ele continua.   

param á porta do sítio. descarrega tudo.

seis vão fazer soundcheck.

um vai arranjar lugar para a carrinha e comprar frangos.

mesa, cadeiras de plástico e dois sofás. jantam numa sala dos fundos. 

á mão. com cerveja. litrosas. látas.

um dos gajos diz que é vegetariano enquanto coloca na boca um pedaço do animal. e está a falar a sério. 

a segunda banda já está a tocar. como é? café?

chuva. onze da noite, fevereiro. encontrar um café aberto numa zona deserta de faro. a pé.

cinco gajos e um macaquinho. concerto regular. 

um gajo vai buscar a carrinha. 

carrega tudo.

é tarde. 

já em casa. 

descarrega tudo para o segundo andar.

três gajos querem ir dormir. 

um deles é convencido pelos outros quatro gajos e macaquinho a ir curtir umas jólas também.

e recorrendo á desculpa "puto bora lá...bora lá meu! ainda vou parar ás putas. a sério. esta malta ainda quer ir ás putas. bora lá meu! eu não quero ir ás putas meu! bazamos mais cedo!", saem todos.

bares. musica dos anos noventa. cerveja.

há uma padaria aberta. tem mini-pizzas com azeitonas e pimentos.

bar académico. o spot da noite.

seis gajos e um macaquinho não são estudantes. ninguém entra.

quatro gajos e um macaquinho são banda de rock da moda. entram todos.

canto iluminado. três metros de balcão do bar ocupados.

buscopan. o shot eleito para a noite. onze de cada vez. muitas vezes. 

nove gajos e um macaquinho tripam em slow motion.

rua. 

parpalhar numa rua de família.

 "vai mas é brincar com os córnos do teu pai !", um balde de água ou mijo é despejado de um terceiro andar.

berros. "daqui não saimos! . cinco gajos e uma miuda que de tão fodida já não abre os olhos. 

a miuda que de tão fodida já não abre os olhos tem uma amiga histérica. 

a amiga histérica pede satisfações. 

gajo para amiga histérica: "princesa, ela vai para onde quiser!".

amiga histérica vai embora. já se contenta se a miuda que de tão fodida que já não abre os olhos chegar a casa viva.

porrada ao fundo da rua. banda amiga. bófia aparece. acabou.

uma carrinha,sete gajos, um macaquinho e uma miuda que de tão fodida já não abre os olhos.

velho bate na carrinha a fazer marcha-atrás e tenta fugir. não consegue. é tirado do carro.

bófia ao fundo da rua.  

sete gajos, um macaquinho e uma miuda que de tão fodida já não abre os olhos. álcool no sangue que vale por cem pessoas.

três gajos saem da carrinha. arriscam ir para casa a pé.

três gajos e um macaquinho vão esperar ficar sóbrios para fazer queixa na bófia.

um gajo e uma miuda que de tão fodida já não abre os olhos saem da carrinha, vão á vida deles.

três gajos andam uma hora a pé para encontrar o prédio. a chave de casa na carrinha.

rua deserta. faro. fevereiro. a chover, frio indescritível.

três gajos dormem sentados num daqueles quadros eléctricos que estão junto aos prédios. até de manhã. tipo dez da manhã.